Palavras

Blog EntryHoje (TAMBÉM) é Dia da MulherMar 8, '08 12:51 AM
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Segundo relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho), metade das trabalhadoras do mundo estão em postos vulneráveis e mal pagos.

Um relatório da Organização Mundial do Trabalho, OIT, sugere que a presença de mulheres no mercado de trabalho aumentou cerca de 18% nos últimos 10 anos.

A OIT afirma que metade dessas trabalhadoras tem empregos vulneráveis e mal pagos.

A especialista em Igualdade de Género da OIT, Albertina Jordão, falou à Rádio ONU, de Lisboa, sobre o significado de trabalho precário.

"O trabalho digno implica um trabalho com direitos, com direito à protecção, sem discriminação. E, de facto, quando nós olhamos para os últimos dados da OIT, o que podemos observar é que há uma correlação muito grande entre a pobreza e a desigualdade no trabalho. Podemos dizer que a pobreza é um dos maiores aliados dessa desvantagem que efectivamente as mulheres têm no mercado de trabalho", disse.

América Latina

O relatório da OIT revela que na América Latina, 64,6% das mulheres são remuneradas e assalariadas, 25,5% delas estão no sector informal, 7,1% actuam nos negócios familiares e só 2,7% são empregadoras.

Blog EntryPara AsheraJan 18, '08 7:14 PM
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Obrigada meu querido  Amado Amigo
Aguardo dias melhores
O teu carinho me dá forças
Bom fim de semana para todos os meus Anjos Multiplyanos




Blog EntryQuando falam os coraçõesJan 14, '08 7:02 PM
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Também te amo querida ANA
Salvé amigos Anjos
Estejam bem sempre
E saibam que vos amo
Beijos no coração



Blog EntryObservar sem reagirJan 6, '08 11:46 PM
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Roubei a doce Lurdes

Blog EntryPoemas que NÃO são de Clarice LispectorJan 4, '08 1:38 AM
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Depois da  visita ao meu Amigo Maykson :

http://sendadashoras.multiply.com/video

Fui dar um rapido passeio pela Net :

http://www.jornaldepoesia.jor.br/cli.html


Blog EntryA Alemanha Fascista de HojeDec 26, '07 8:54 PM
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     LInk:DE QUEM É O PLANETA?

Não seria de todos?

 


Blog EntryIlha das FloresNov 18, '07 9:38 AM
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Ilha das Flores

Até ao fim do filme vejam para compreender tudo

Obrigada!


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Do querido Amigo Adauto Poeta e Professor, Avô babado

Todos já lemos Mario Quintana, mas hoje, li-o como se fosse a primeira vez!

TEM DIAS :-)

Beijos no coração


Blog EntryCorpo a CorpoOct 12, '07 9:56 AM
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Obrigada querida Amiga Paula

Beijos


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Obrigada Querida Amiga Heloisa

Bom fim de semana para todos



Blog EntryVAZIOOct 8, '07 12:02 AM
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Obrigada Querido Amigo João Poeta


Blog EntryCAMPANHA INTERNACIONAL RIR CONTRA A FOMESep 26, '07 1:17 AM
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Esta é uma Campanha na lutra contra a FOME no Mundo

 

 

A campanha do Riso Contra a Fome está a dar passos importantes. Os cidadãos passam o tempo todo a rir dos seus governantes e já nem pensam na miséria que eles fomentam cada vez mais. A morte por desnutrição está a cair em desuso; as pessoas hoje morrem de riso, riso tantas vezes envergonhado, tantas vezes reles, tantas vezes covarde, tantas vezes  triste,... esperem aí, onde é que eu já li isto?
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COPIA E COLA:

<a href="http://ashera.blogs.sapo.pt/"><img src="http://fotos.sapo.pt/ashera/pic/00001fra"/><a></a></a>


Blog EntryAshera hostingSep 16, '07 7:10 PM
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Se não acreditam, podem verificar aqui. Podem criar o vosso próprio multiply.

Feliz semana, lindas pessoas. Galáxias de beijos.

If you don't believe, check hier. You may set your own multiply.

Have a nice week, beautiful people. Galaxies of kisses.

Blog EntryDiz Eduardo SáSep 13, '07 2:25 PM
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Algumas Citações de Eduardo Sá

É psicólogo clínico, psicanalista e professor de psicologia clínica na Universidade de Coimbra e no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa. Tem uma longa experiência de acompanhamento de fetos e de bebés, de crianças, de adolescentes e das suas famílias. Director da Clínica Bebés & Crescidos

 

As emoções tornam tão irrepetível tudo o que vivemos que, depois de vividos, todos os acontecimentos... «já eram». Isto é, por mais que os tentemos descrever, deixam de ser, exactamente, como os vivemos e, por isso, tornam-se... mentira

 

O silêncio só é silêncio quando não somos capazes de escutar com o coração

 

A melhor forma de não perder nada não é guardar: mas compartilhar

 

As pessoas morrem quando nos decepcionam e, para nossa perplexidade, com elas morre sempre um bocadinho, mais ou menos indecifrável, dentro de nós

 

Os mais velhos só aprendem quando aceitam que, para educar os outros, é necessário, em primeiro lugar, querer aprender com eles. E isso só é possível quando, nas intenções da educação, a aquisição de conhecimentos for substituída pelo carinho à sabedoria.

 

Amar é conhecer mais do outro do que ele sabe de si próprio, e descobrir que ele conhece mais de nós do que nós mesmos.

 

Crescemos imaginando que é possível aprender sem errar. No amor, por maioria de exigência. O que transforma, muitas vezes, o coração numa folha de cálculo. Ora, do mesmo modo que dar à luz não é tirar todas as dúvidas (mas pôr problemas), errar é aprender. E descobrir que, olhando por quem se olha, o importante nunca é saber como se faz, mas com quem se conta para chegar ao que se quer.

 

É certo que quase nada vale por aquilo que parece. E, no entanto, talvez o que pareça valha sobre o quase-nada que lhe falta para ser tudo aquilo que não é.

 

Transformar em qualquer coisa de sobrenatural tudo o que sentimos, só porque a racionalidade assim obriga, faz do silêncio uma enorme enciclopédia de todas as verdades por dizer.

 

Há muita diferença grande entre temer a morte e amar a vida. Temer a morte deixa-nos em dívida com a vida. Torna-nos minúsculos. Compenenetrados dos nossos papéis. Falsos e complicados. (...) Temer a morte deixa-nos levar pelas marés de todos os dias. Amar a vida desafia para as aproveitarmos nas rotas onde nos queremos ao leme

 

Às vezes, os políticos parecem repartir-se entre os que nunca se enganam e os que só reconhecem os erros dos outros. Os que se salvam imaginam a coerência como um lugar sem contradições. Ora, passamos bem sem os que nos indicam, uma a uma, as faltas dos outros. Perdoamos os erros, porque todos sabemos que são eles que nos ajudam a crescer.

 

Estranhos não são as pessoas que não se conhecem: estranhos são aqueles que, estando ao pé de nós, parecem nunca perceber o que se passa connosco.

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Blog EntryVamos levar nossa mensagem para a ONUSep 12, '07 3:49 PM
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(Recebi por email do meu amigo Paul Hilder, basta clicar "Mobilize se  Agora", ajudemos a acabar com a guerra no Iraque)

 

Queridos amigos,

O Iraque é um desastre humanitário, precisamos de uma interferência global urgente para mediar negociações para acabar com a guerra. Diga para a França liderar uma proposta no ONU essa semana.
Mobilize-se Agora
Com 4 milhões desabrigados e centenas de milhares mortos, o Iraque se tornou um dos maiores desastres humanitários do mundo. O General Petraeus, militar responsável pelo Iraque, deu essa semana seu relatório de guerra. Mais uma vez o governo Americano deixou muito á desejar quanto á uma verdadeira solução para o Iraque. O anúncio da retirada de 30.000 soldados é uma tática do Bush para tirar a atenção do fato de não haver um plano concreto para garantir o fim do derramamento de sangue. Além do mais essas 30.000 tropas já haviam chegado ao Iraque como "temporárias".

Semana que vem teremos a chance de aproveitar esse momento político e colocar os holofotes no "Novo Plano" para o Iraque. Todos os líderes mundiais estarão reunidos na Assembléia Geral da ONU em Nova York debatendo questões de segurança global. A ONU é o espaço perfeito para pedir uma conferência de paz internacional, organizada por mediadores imparciais, que negocie um fim á guerra e a completa retirada de tropas Americanas. Veja o "Novo Plano":

http://www.avaaz.org/po/au_secours_iraq/?cl=18587681

Para levar essa mensagem escolhemos a França, um mensageiro que tem força para enfrentar o Bush. A França se opôs á invasão Americana e o atual Ministro das Relações Internacionais é um humanitário fundador dos Médicos sem Fronteiras.

Precisamos levantar um grande número de assinaturas apoiando o “Novo Plano” que será enviado para o Presidente da França Sarkozy e o Ministro Kouchner. Por favor espalhe a mensagem e encaminhe o email, se você ainda não assinou o "Novo Plano" clique abaixo:

http://www.avaaz.org/po/au_secours_iraq/?cl=18587681

Centenas de milhares de pessoas foram mortas desde a invasão do Iraque e a matança só tem aumentado. Comida, eletricidade e água potável estão escassas. O Irque tem hoje mais refugiados que qualquer outra crise no mundo e Bagdá perdeu mais da metade da sua população Sunni devido ao massacre étnico. Kouchner e Sarkozy estarão na Assembléia Geral da ONU semana que vem, precisamos garantir que a paz no Iraque seja defendida frente aos principais poderes do mundo. Nossa mensagem será enviada diretamente para eles e para a mídia.

Nem os EUA nem o governo sectário Iraquiano tem credibilidade para promover uma resolução. Vamos tentar uma nova estratégia levando nossa mensagem para a ONU através do governo Francês. Apóie o "Novo Plano" para o Iraque e encaminhe para seus amigos:

http://www.avaaz.org/po/au_secours_iraq/?cl=18587681

Com esperança,

Ricken, Paul e equipe Avaaz

P.S. Para saber mais veja a última pesquisa da BBC sobre a situação no Iraque:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/09/070910_iraque_pesquisa_aw.shtml

Leia também os artigos: 'Não existe solução militar para o Iraque', afirma governo francês - AFP
http://afp.google.com/article/ALeqM5gpfyScC9PP8fZ4exm2KyoNYCexOw

Auditor duvida de estatísticas oficiais dos EUA sobre violência no Iraque- AFP http://afp.google.com/article/ALeqM5gQ679Mv2QY_QO1OfhMeLlo_Zo9cw

tinha uma cruz de guerra na gaveta do fundo do guarda-fato, e memórias difíceis de ajeitar no desassossego das noites em claro. à revelia do sono. às voltas na cama. às voltas no quarto. aos baldões.

    na pele do rosto, rugas temporãs, esculpidas pelas chuvas rápidas do cacimbo. e as margens indeléveis de um rio para além do horizonte. um rio  de tempos incertos. serpenteando em círculos mais e mais apertados na  autofagia de um abraço estrangulado. na asfixia de um tempo circular, sem  retorno nem eternidade. gasto.

    os sentidos embotados pelo travo amargo de mortes adivinhadas. o passo a passo no medo da picada.

    e mais uma porção de coisas: recordações roídas pela traça, atiradas ao desprezo de um fundo de baú de cheiro irrespirável a naftalina. há muito que as tinha lá fechado e lançado a chave ao mar. chave que a mágica implacável das marés insistia em trazer-lhe de volta à rebentação das lembranças, num estorno de vaivéns.

    e tinha sempre um amor na mira do coração. nem que fosse passageiro; durasse meses, dias. nem que fosse platónico, feito de sinais, flutuante de indícios, intocável. nem que fosse comprado, de fingir. ou tão-só imaginado, irreal.

    o amor era a sua forma de respirar. corpo e alma. fora dele, o abismo, o perder-se em torno de si próprio no suicídio de uma vertigem centrífuga.

    um sobressalto mais insuportável arrancou-o à agitação do sono. respiração pesada, difícil. humidades tropicais a encharcarem-lhe o rosto. o calor sufocante da memória. áfrica era coisa distante, e no entanto continuava a tropeçar nela a cada passo, a cada ranger do sobrado. a cada voltar de página, e de medo.  a memória..., a memória é a traição do tempo.

    levantou-se no escuro. na protecção do escuro. aprendera a deslocar-se a coberto dele; habituara-se à cumplicidade da noite. lá, onde qualquer luz  podia ser fatal. o simples acender de um cigarro, o reflexo mínimo de um brilho.

    trémulo, entreabriu uma gaveta ali mesmo à mão. tacteou automaticamente o volume familiar das resochinas, guiado pelo hábito do gesto mil vezes repetido. colou duas ao meio da língua, e engoliu-as a seco.

    aguardou-lhes o alívio sentado na berma da cama. cabeça recolhida na concha enorme das mãos. aguardou. lutando contra os delírios da febre, e os espectros da noite africana. voltar ao sono seria voltar ao passado.  reacender-lhe os estilhaços. devolver-se aos silêncios de terror.

    em áfrica, o pretexto era viver para se manter vivo. agora, a vida era uma imposição dolorosa e inútil como uma dádiva embaraçosa, o peso de um lastro excessivo. arrastava-a consigo sem saber que destino ou sentido lhe dar. não devia tê-la trazido. devia ter tido a coragem de havê-la despido e deixado por lá. junto com as recordações ainda frescas. como tantos outros haviam feito, antes e depois dele. a morte batia-lhes todos os dias à porta. às vezes, deixavam-na entrar.

    agora que a trouxera, tinha de lhe dar um rumo que a alimentasse, antes que lhe morresse à míngua nas mãos.

    o tempo a fechar-se em círculo. estonteante. quase a poder tocar-lhe.

    o fogo cruzado do passado em cada esquina, em cada sombra. a balançar perigosamente na fronteira frágil do tempo. momento e memória a confundirem-se assustadoramente.

    recordar com esforço o presente. a tentação de retardá-lo; empurrá-lo para um futuro eternamente adiável.

    e assim permaneceu no escuro, até a memória do escuro se lhe tornar insuportável.
    sair à rua. sacudir os fantasmas. descer a calçada, para de novo subi-la. e de novo descê-la. provar, por círculos, que a distância entre dois pontos nunca é a mais curta.

    revistar as sombras da noite. revisitar cada esquina, cada recanto. uma e outra vez. em busca de um sinal, de algum presságio porventura  despercebido das vezes anteriores.

    dar cada passo como quem inicia uma viagem de regresso duvidoso. improvável.

    a noite estava fria e molhada.

    e a rua era estreita e crivada de escolhos e abismos. poderia afundar-se a cada passo, a cada instante, mas ele seguia a direito. indiferente às poças e à lama.

    poderia amá-la ali mesmo se a encontrasse; se ela existisse. uma vez tivera a ilusão fugidia de ver-lhe o reflexo num vidro de montra.

    há muito que sonhava com ela. ainda que sem grande convicção, sem exagerado empenho. quanto mais forçamos os sonhos, mais eles se esquivam de nós.

    subir-lhe e descer-lhe as marés do corpo,  feito oceano.  e tornar a subi-las e a descê-las, e a subi-las e a descê-las, até o ímpeto das vagas se quedar saciado.

    a rua era estreita e crivada de escolhos e abismos; a noite, fria e molhada. mas ele seguia a direito. tão a direito quanto se pode caminhar numa rua estreita, sinuosa e crivada de abismos.

    pela nesga de uma fugaz aparição por entre nuvens, o leite do luar derramando fantasmas na sombra das árvores.

    e a noite a perfilar-se em contornos de silhuetas indistintamente femininas. vultos ambíguos de presas predadoras. a serem resgatados pelo contra-luz amarelento dos faróis dos carros que chegavam e partiam.
    luísas, belas, adélias, nomes de guerra. podia adivinhar-lhes as histórias. conhecia-lhes de cor os enredos. tudo histórias interrompidas por imperativos de amor. poderia até recitar-lhas ao ouvido, talvez sem que nem elas próprias as reconhecessem, e com elas se comovessem, ou rebolassem num riso debochado.

    as histórias são todas iguais. variam apenas no pormenor da gravidade com que são contadas.

    luísas, belas, adélias, portos de abordagem de automóveis solitários, escassos, de intenções nocturnas, patrulhando silhuetas femininas plasmadas pela chuva. rostos desbotados, vestígios garridos de batôn no carmesim murcho dos lábios. só reconhecíveis ao aproximarem-se das frestas dos vidros das janelas semi-descidas ao nível dos olhos. e o acordo a firmar-se ou não, ali mesmo, num breve pingue-pongue de palavras-código. poucos os detalhes a acertar. o jogo é conhecido, os termos precisos. apenas o tempo de um confronto de rostos com expectativas, desejos com ofertas. depois, portas que se abrem ou não, acolhendo o entendimento mútuo de uma réstia de ilusão de companhia ou voltando a mergulhar na noite tão vazios como a ela chegaram. e a noite vai-se enchendo de uma imensidão de vazios. talvez a noite não passasse de isso mesmo: um espaço imenso, repleto de imensos vazios.

    no canto de um bar defronte, um homem idoso enrosca num sobretudo molhado a solidão que lhe sobrou de uma vida. ausente, parado de olhos, à sombra de um copo de bagaço de enganar o frio, ruminando glórias de outros tempos. nunca vividas. bigode circunflexo acentuando-lhe os lábios. magros. olhando a rua através do vidro duplo da montra com boiões de drops empoeirados e pastilhas de mentol de invólucros desbotados por sóis de outros dias. voyeur de um amor cada vez mais caro para a sua reforma.

    outros clientes, não os havia; apenas algumas figuras dormitando no aconchego morno do álcool e um vaivém de sombras entrando e saindo afadigadas no frenesi do cio insaciável das horas mortas.

    salpicos de chuva projectados da valeta pelas rodas dos carros nas  tangentes estreitas da calçada lambiam veias abertas na sujidade acumulada  na vidraça da montra; a irem desaguar aos borbotões na sarjeta logo mais  abaixo. uma água grossa e castanha, pantanosa, arrastando consigo os restos do verão e as primeiras folhas tombadas de outono. o amarelo letal do outono. a desaguar no oceano da cidade.

    bolsas de vazio cavadas pelas torrentes de chuva na pressa dos transeuntes em busca de um abrigo, um tecto, uma cama, um beiral. a vida pode ser uma incessante busca de abrigo; uma incessante fuga às bátegas geladas da chuva e noites de solidão.

    os últimos transeuntes da noite a cruzarem-se com os primeiro da manhã. as luzes a capturarem as borboletas mais tardias, e os últimos táxis a largarem corpos amarrotados das ressacas de amores à la minuta. alheados. distantes. guiados por um sonambulismo autómato, de quem sabe para onde vai na indiferença de querer ir.

    prosseguiu a caminhada. sem outro rumo ou propósito que não fosse caminhar.

    prosseguiu a caminhada, até que uns faróis largaram junto de si uma silhueta diferente. tão próximo, que lhe pôde sentir o calor. o fogo dos cabelos, contrastando com os negros e castanhos mediterrânicos. o tom gaélico da fala. o mar dos olhos. vagas revoltas. corpo refugiado; sabia-se lá de que guerras, de que lembranças.

    ela não podia adivinhar o rasto de perfume que deixava à passagem. um perfume natural. indelével. de corpo em flor.

    tomou-a por um braço, e arrastou-a consigo. e ela deixou-se levar, dócil, quase sopro, após um brevíssimo espasmo de surpresa. deixou-se levar, como se fosse esse o seu destino de sempre; conhecesse de cor cada passo do caminho. caminhos passados a papel químico. até ao quarto. um quarto na periferia pobre da cidade.

    o nu das paredes reverberando a angústia do trompete de gillespie, rodando e rodando no sem fim do abandono do prato do gira-discos.

    livros espalhados ao acaso, pelo chão, pelos móveis. os copos da véspera, ainda húmidos dos segredos ditados ao ouvido pelos goles de whisky.

    havia ensaiado aquela noite à minúcia do segundo.

    fazer amor até o amor escorrer pelas paredes. inundar todo o quarto. um amor físico. espesso. a três dimensões. até diluir as incertezas, afogar os presságios.

    mas acabou por despenhar-se na vertigem de um amor precipitado e urgente. sem tempo.

    despiu-se à pressa. sem cerimónia nem volúpia. e fez um amor à queima-roupa, mecânico e silencioso... qualquer som podia ser fatal. um amor enrodilhado. desleixado. farrapos. nem se preocupou em apanhar as sobras de coração derramadas a esmo pelo chão. mais tarde as varreria.

    só depois de aquietados os corpos, vieram as falas. sem a preocupação de serem entendidas ou não. ela, falou-lhe da sombra verde de uma ilha deixada para trás, à deriva de recordações difíceis de enfrentar. a sua ilha verde. e a memória, sempre a memória... e falou-lhe de morte, de fuga... vagamente. como  quem receia, ou simplesmente não gosta de falar do que deixou para trás. ele, respondeu-lhe com uma guerra distante, absurda, sem fuga, nem retorno. falaram por falar. para preencherem os interstícios do tempo que sempre restam do amor. quantas vezes não sobram as palavras e nos escorrem pelos cantos da boca, feitas aguaceiro.

    e ele falou-lhe de si, dela, deles, da cidade ideal, de coisas tão bonitas que quando, por fim, lhe fala de solidão, já ela dorme um sono de criança aninhada no seu peito. agora o monólogo prosseguiria a um.

    sentia-lhe o respirar profundo e ritmado, o calor de animal esplêndido queimando o ar, incendiando a noite. os cabelos soltos na nudez do abandono, e a leveza, a leveza de saber-se imponderável, sonho.

    no antebraço, rastos de agulhas cegas tacteando caminho em busca nervosa de vasos difíceis, esquivos. dos mais antigos, de uma cicatrização azulada, ao vermelho quase vivo dos mais recentes, uma hierarquia de ansiedades, um calendário de desesperos, fugas. um roteiro de avenidas e subúrbios.

    e o tempo... essa massa pegajosa e inevitável que a levaria consigo ao despertar. poder sustê-lo, como quem sustém a respiração; manter aquele sono, eternizá-lo para que o dia não raiasse. prolongar o sonho para lá dos limites do sonho; o real para lá dos limites do real. aquele corpo para lá dos limites do amor, do desejo.

    mas o desfecho daquele romance era por demais seu conhecido para poder assistir-lhe uma outra vez. preferia guardar a recordação daquele capítulo inacabado. saltar as linhas indesejáveis.

    pegou numa nota de valor combinado, e deixou-lha no prolongamento dos dedos. respirou-lhe o cabelo solto uma última vez, e saiu silencioso, voltando a página atrás de si.

    sentiu um gelo penetrá-lo até aos ossos. tolhê-lo de rigidez.

    aconchegou melhor a noite ao redor do corpo... e mergulhou no íngreme da calçada.          nocturno.

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Link para visitar outros contos, encomendar livro, ou até aderir esta casa fantastica :-))

horabsurda.com

OBRIGADA HENRIQUE SOUSA


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Obrigada querido Amigo João Poeta


Blog EntryThe Faces of PovertyAug 30, '07 4:42 PM
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Obrigada querido amigo João Antonio


Blog EntryPara onde vão os plásticosAug 30, '07 2:52 PM
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Um drama!!!

Obrigada querida Mercedes


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